Pai e mãe são referência para quase tudo em nossas vidas. Nem tanto pelo que falam, mais pelo exemplo. Essa referência tem quase total ascendência sobre o nosso comportamento até os 25 anos, aproximadamente. Quando tudo dá certo, é nessa idade que as pessoas começam a criar coragem e passam a desenvolver o último estágio da individualidade e viver segundo suas próprias idéias de vida. Maturidade emocional. Percebem que, pelo fato de romperem com as idéias dos pais, não estão rompendo COM os pais. Caminho da saúde.

Mas como nem sempre isso dá certo, AO CONTRÁRIO, prosseguem “mediunizando” os pais em si. Entra aí um fator complicador. Por serem imperfeitos (e não poderia ser diferente) e exercerem autoridade sobre os filhos, muita raiva contra os pais é gerada nos filhos. Sem resolver essa raiva, as pessoas “escolhem” permanecerem como cópias dos modelos de pensamento e modelos emocionais dos pais para manterem o vínculo. Acabam mantendo também o vínculo de ódio. Ódio esse que será projetado em cada relacionamento de suas vidas. Dependendo do relacionamento, com maior ou menor intensidade. Em geral as pessoas acabam “contratando” relacionamentos para darem vazão a esse ódio. São relações extremamente passionais, recheadas e confeitadas com pura reatividade, que se prolongam por toda a vida e atravessam gerações.

A família é a melhor forma organizada que conseguimos até hoje para preservar a espécie. Mas isso não quer dizer que o projeto esteja pronto. Ter um só homem e uma só mulher como referência para a formação, tem-se mostrado um modelo que carece e muito de aprimoramento. É covardia em relação aos pais e precariedade em relação aos filhos. Ainda mais levando em conta que união e procriação, ao contrário de toda a tecnologia, são feitos NO IMPROVISO, sem preparo, as pessoas não são minimamente habilitadas para isso que, aliás, para a biologia, é o nosso ÚNICO sentido de vida.

Foco no afeto!