De diversas formas somos induzidos a nos relacionarmos desconectados dos sentimentos. Estamos nos tornando meros tarefeiros. Fazer isto, fazer aquilo, fazer, fazer, fazer… Se não abrimos, à força, um espaço para nós, ele nunca será possível nem muito menos oferecido. Essa é uma das razões de vermos tanta gente querendo ser ouvida e com pouca disponibilidade para ouvir. O desespero é para ter a oportunidade de, em falando, quem sabe conseguir algum contato… não com o outro, mas COM OS PRÓPRIOS SENTIMENTOS. Nesse caso o outro serve literalmente de escada. Ficamos perdidos de nós mesmos quando perdemos o contato com os nossos sentimentos.

É muito frequente ouvirmos pessoas falando rapidamente, com pressa de dizer tudo o que precisa (senão, pode ser interrompida) e assim não conseguindo EXPRESSAR os sentimentos. A pessoa falou, mas não DISSE o que tinha que dizer. O sentimento fica entalado no peito sob a forma de ansiedade e angústia.

A fala rápida é típica arma da guerra relacional. É pra vencer, convencer coercitivamente. A respiração é curta, rápida, quase não há troca de ar nos pulmões. Física e mentalmente o falante vai SE envenenando com aquilo que não expressou. E o ouvinte que “dançar” igual a ele, também.

Imaginem um narrador de corrida de cavalo lendo uma poesia de amor de Neruda no MESMO ritmo com que narra a corrida de cavalo. Todo o colorido das diversas nuances de sentimentos associados às palavras é trocado por uma única cor: a da ansiedade. Perde-se o mais importante, a MÚSICA romântica daquelas palavras.

Quando percebemos e mantemos a nossa respiração diafragmática, damos o primeiro e mais importante passo para mantermos a conexão com os sentimentos.

Foco no afeto!