É muito comum, ao terminarem uma relação amorosa e após o natural e necessário tempo do “luto”, algumas pessoas sentirem que nunca mais serão felizes no amor. Caminham sentindo-se zumbis, sem vida, meio que no automático. As que conseguem alguma iniciativa, saem, tentam se divertir. Eventualmente ficam com alguém mas, ao voltarem para casa, sentem-se vazias de novo e fica reforçada a sensação de que o amor nunca mais será viável com qualquer outra pessoa. O beijo não foi bom, não havia intimidade, havia um certo estranhamento, uma distância que corpo colado nenhum conseguiria desfazer.

Mas existe um detalhe, que as pessoas nesses momentos de fragilidade não percebem, e nem tem como, dada a situação
emocional de perda em que se encontram; é o fato de que o vínculo afetivo é algo lentamente construido. A proximidade e a intimidade são resultados de gradativos rompimentos de barreiras do superego repressor, que não se dão em um dia só. O vínculo afetivo é algo a ser cultivado. Dia-a-dia. A pessoa sabe disso, mas não se lembra e deprime mais um pouquinho. Assim foi na relação passada, é só lembrar dos primeiros encontros. O vínculo foi sendo lentamente construido, a dois. O próximo também o será. Todos assim o são.

As relações são únicas em suas características, mas não são AS únicas possíveis de serem vividas. Dado que, à natureza, o que mais interessa é a preservação da espécie, existem muitas, muitas, mas muitas pessoas com quem haverá uma grande afinidade “química” (ponto de partida para uma boa vivência amorosa). O passo seguinte será perceber a viabilidade da relação tendo em vista as afinidades quanto a valôres pessoais. O outro passo é a sabedoria dos dois, construindo o vínculo afetivo. Isso demora um tempo para se perceber e se harmonizar.

Quando acabam uma relação e após o natural e necessário tempo do “luto”, algumas pessoas têm preguiça de passar por esse processo de aproximação, tudo outra vêz. A perda anterior, dá uma certa canseira, mas não é saudável ceder indefinidamente a esta canseira porque vira acomodação…na doença. Sob os efeitos dessa canseira esquecem que é só o processo de aproximação que é igual. As relações são novas e há sempre uma grande afinidade possível a frente.

Quando acabam uma relação, outras pessoas tem o impulso de sairem com todo mundo para abafarem a, então insuportável,
sensação de perda. É a fuga inútil do “luto”. Piora a situação. Pior que viver uma emoção ruim é fingir não a estar sentindo. Fábrica de detritos emocionais que serão vomitados nos surtos de reatividade. Nesses casos, não raro, a pessoa é contaminada pela, já epidêmica,”imediatite aguda” que estimula a negação de vínculos afetivos por serem realizáveis a médio e longo prazo.”Não é fast não é bom”. Prazer superficial na hora, sem demora. O prazer amoroso existencial, que advem do afeto, vira uma necessidade jamais satisfeita. Cai-se, então, no vazio existencial. Haja tarja preta!

Não existe atalho para relações saudáveis, justamente porque a saúde está no sentido e vivido processo de construção da
intimidade. É isso que enraiza saudavelmente os vínculos, é isso que nos faz crescer e é isso que nos faz mais presentes e inteiros. Leva um tempo, leva energia mas, nesse caso, repõe energia também.

O fim de uma relação não é o fim das possibilidades amorosas.

Com a atitude saudável, é a sequência natural do contínuo aprendizado que é a o amor em nossas vidas.

A cada nova relação, com entrega, perceber uma afinidade química e viver essa afinidade.

Com entrega, sentir se o tanto de afinidade de valôres possibilita o estabelecimento de um vínculo.

Com entrega, viver o envolvimento que possibilita o vínculo afetivo.

Com entrega, viver esse amor que, em alguns casos, pode até ser retomar renovadamente uma relação anterior ou viver um amor com cara de impossível.

O importante é a vivência, com entrega e em segredo, de preferência.

Foco no afeto!