Por instinto de preservação nós aprendemos a cuidar do que está próximo, do que nos afeta diretamente e do que é alvo direto do nosso afeto: relação amorosa, família, focos maiores do nosso afeto; trabalho, alvo de afeto que provê nossos afetos; manutenção de objetos que levam conforto aos nossos afetos; etc. Isso toma praticamente todo o nosso tempo. Achamos que apenas e tudo isto é de nossa responsabilidade e suficiente.

Existe algo, porérm, que é alvo do nosso quase inteiro descaso e que determina boa parte da nossa qualidade de vida e a saúde dos nossos afetos . São aquelas pessoas a quem, através do nosso voto (vergonhosamente) obrigatório, delegamos o poder de agirem em nosso nome. Eles estão lá. Longe, social e físicamente. Agindo de forma a influenciar diretamente a nossa família, o nosso trabalho, a manutenção de nossos objetos, etc. O nosso afeto.

Negligenciar o acompanhamento do que este “exército” está fazendo, é o mesmo que deixar a porta da nossa casa aberta. Ao acaso. É expor nossos afetos à grande possibilidade de destruição. Os países onde há consciência relacional mais orgânica (cidadania), não descuidam desse aspecto e são mais felizes relacionalmente (civilizados). É preciso incluir essa atuação no rol dos cuidados diários com os nossos afetos, caso contrário, é como navegar em um barco furado. Além de remar, tem que ficar tirando água com o balde e, pior, com o tempo acabar achando que isso é natural. É exatamente isto o que está acontecendo com a maioria de nós.

Quando alguém ousa chegar perto desse poder e, frente a frente, reclama das irregularidades, conhece e enfrenta um poder sórdido, covarde, predador e inescrupuloso. Aí, na maioria das vezes, intimidado e coagido, recolhe-se, de novo, à vida “mais segura”. Engole o desafeto puro e aceita com resignação que não pode cuidar totalmente de seus afetos. Descobre que não é totalmente dono de sua própria vida. Percebe-se escravo e cai no desafeto a si mesmo. O erro aí é ignorar que isto não pode ser feito individualmente. Biologicamente somos uma relação que, para dar certo, precisa ser generosa! O poder não é generoso, está corrompido, mas nós escravos, podemos e devemos ser saudavelmente generosos trabalhando juntos por tudo, inclusive no policiamento da regularidade administrativa que elegemos e sustentamos. Do contrário, continuaremos sendo, indefinidamente, escravos desfocados da dignidade relacional.

Aos poucos estamos aprendendo a fazer valer nossos direitos de cidadãos. Muitos de nós já sabem reconhecer um preço abusivo e comprar onde o mesmo produto é mais barato, por exemplo. mas existem coisas mais complexas que não podem ser feitas por um pequeno grupo e sim pelo coletivo. Cada funcionário público eleito tem um e-mail e podemos falar diretamente com ele. O corrupto não está nem aí com o nosso problema (seja com um plano de saúde, seja com a instituição de uma lei que vá nos prejudicar, etc.) mas ele morre de medo de perder o nosso voto. Delegamos a ele o poder de cuidar remotamente das circunstâncias que determinam uma vida melhor aos nossos afetos, mas ele está DESfocado do afeto.

A ÚNICA forma saudável de respondermos (e não reagirmos) a esta relação indigna é nos darmos ao trabalho de:

1º Estudarmos este mecanismo de controle por parte do poder. Não é tão difícil, hoje o Youtube está cheio de documentários altamente esclarecedores. Por exemplo o brilhante “Planeta Prisão” http://bit.ly/xyP6Ry Além disso existem diversas pessoas, aqui mesmo no Brasil, contribuindo com preciosos esclarecimentos em suas áreas de atuação: Solange Igarashi (Facebook), Jayson Rosa (Facebook e Youtube), Olavo de Carvalho (Youtube).

2º Criarmos um canal movel (e isso não é nada difícil) para manifestarmos exclusivamente nossas opiniões, contra ou a favor de determinadas medidas do poder político e econômico, para aí sim levantarmos baixo assinados consistentes, manifestos, etc. e enviarmos ao Poder nacional, que serve ao Poder internacional, mas que, por lei, tem que nos servir.

Essas são as medidas COLETIVAS. Repito: Biologicamente somos uma relação que, para dar certo, precisa ser generosa! Fomos feitos para isso e qualquer coisa que não seja assim nos coloca na categoria de praga. Não há saída senão a coletiva e, para isso, a nossa consciência precisa ser parecida. Muitos de nós precisam PERCEBER o que está acontecendo. Há muito tempo que não adianta mais “tocer” para um partido ou um funcionário público. A maioria está corrompida e os que ainda não são, na medida em que  forem adquirindo poder vão, necessáriamente, se corrompendo. Senão são expulsos ou mortos. Lá a relação é focada no poder.

A saída é coletiva e focada NO AFETO. É decisivo que você gaste um tempo do seu dia criando e sugerindo formatos de colaboracionismo no sentido de estabelecermos ferramentas de comunicação e ação PACÍFICA. Se falarmos a linguagem deles, a da guerra, voltaremos à estaca zero.

Os lugares do mundo onde isso dá mais certo, são aqueles onde as pessoas não reagem, perceptivamente respondem. Tal produto prejudica a saúde, NINGUÉM COMPRA. Houve aumento no produto “X”, NINGUÉM COMPRA. Uma rede particular de comércio abusa dos preços, NINGUÉM COMPRA. Não poderemos constituir e estabelecer uma associação, ou ONG, nada que seja centralizado e fixo porque eles vem e destroem. Podemos sim, e devemos, constituir e estabelecer uma dinâmica de conscientização. Estudando, agindo no individual e passando no boca aboca.

Está em NOSSAS mãos.

Foco no afeto!