Toda vez que ajudamos, deixamos plantada uma semente no ajudado. Garanto que “o outro lado” sempre usa a nossa ajuda
com sabedoria. Total ou parcialmente, de acordo com a consciência vigente do ajudado. Quando superamos a ansiedade de ver aproveitada imediatamente a nossa ajuda, pelo ajudado, descobrimos que todos, inclusive nós mesmos, temos o nosso tempo, “timing”. Esse tempo, mesmo que dure uma eternidade, não está em nossas mãos. Depende de cair uma ficha para o ajudado, e isso nem ele nem ninguém controla. Se insistirmos em querer controlar o aproveitamento por parte do ajudado, cometemos o
grave erro da manipulação, retardando mais ainda o alcance do resultado por parte do ajudado. A ajuda precisa ser dada com TOTAL ausência de expectativa e isenção. Senão, deixa de ser ajuda e passa a ser indução. Se temos a intuição para ajudar, devemos oferecer a ajuda que podemos dar. Se será aceita, parcial ou totalmente, pelo ajudado, é outra questão que não depende de nós e devemos respeitar. Nunca sentirmo-nos frustrados ou desconsiderados pelo eventual fato de a nossa ajuda não ter sido inteira ou parcialmente aceita. Cada um tem uma consciência, uma forma única de perceber e experienciar a vida. Para ajudarmos de fato, precisamos exercer plenamente a empatia ao invés da projeção.

Projeção é o que eu sentiria se estivesse no lugar dele.
Empatia é PERCEBER o que ELE está sentindo, como está vendo e vivendo as coisas. Assim eu posso ter uma idéia mais clara do que ELE, de fato, sente que está precisando e, se tiver condição, oferecer a ajuda.
É impossível fabricarmos a consciência do outro. Essa ajuda é impossível. A consciência é um processo individual que nem a própria pessoa controla. Todos a adquirimos no processo erro/acerto e cada um tem o seu tempo.
Podemos sim, e no meu entender devemos, nos dispormos a acolher o outro em sua dor, sem críticas, sem preconceitos, sem projeções, com muito carinho e focados no afeto. Para a consciência de um, o problema do outro é de facílima solução, so que…ele não tem A MINHA
consciência. Tem a dele. Se quero ajudar defato, é meu dever entrar em contato com a consciência DELE, isto é empatia. É uma forma sutil de egocentrismo oferecer ao outro o que seria uma solução para mim, sem antes perceber a consciência dele.
Ajudar é um processo que não pode depender do relógio. Depende da entrega com amor, da empatia e do foco no afeto ao outro, do jeito que o outro percebe como afeto. Se possível ajudemos, se não, só o fato de não pressionarmos o outro, já será de grande ajuda.

Foco no afeto!