A inveja é um impulso muito comum entre os homens. Existem duas reações básicas em relação a ela, de acordo com o grau de consciência de cada um. A doentia é aniquilar o invejado. A saudável é deixar-se contagiar pela a felicidade alheia e, inspirado nisso, buscar a própria. Peço licença para usar “inveja saudável” como um neologismo já que, a rigor, no dicionário ela é definida como: “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem” e “Desejo violento de possuir o bem alheio”. Na ausência de uma palavra para definir essa postura saudável diante da felicidade alheia, não vi outra opção. Tive a rara sorte de conhecer e conviver com pessoas que viviam e vivem a inveja da forma saudável como descrevi. Pessoas que aprenderam, através do aumento da percepção, que o que é do outro jamais será meu, mesmo que eu o possua. Porque, nesse ato, não será COMO era na mão do invejado mas sim do jeito que é na minha mão, que é sempre diferente. O invejoso doentio não percebe isso, no fundo se decepciona e, com a autoestima despencada alguns degraus abaixo, tem que se contentar “apenas” com a destruição do invejado…e assim sucessivamente até chegar ao fundo do poço existencial dele. Os invejosos saudáveis perceberam que quando vemos o outro mais feliz do que nós, o sentimento primário é “Quero sentir esse tanto de felicidade”. Perceberam também que a felicidade do outro serve apenas como boa referência para que eles sigam em direção à própria. Perceberam que cada um é um e que a felicidade de um não serve para o outro. Cada um precisa construir a sua. É uma questão de nível de consciência que permite o acesso a esse entendimento. Outra vez e sempre é a meditação que aumenta a nossa percepção.