O chamado ciúme doentio, aquele que provoca pânico ante a possibilidade de perda, ocorre também pelo fato de o ciumento ter, na outra pessoa, uma referência de amor que ele, ciumento, não conseguiu ainda, por medo da sensação de vulnerabilidade causada pela entrega. O ciumento nem se entrega e nem deixa o outro livre. Apropria-se. É muito semelhante ao que fazemos com os pássaros: Por não conseguirmos “voar” na nossa liberdade, enjaulamos o símbolo dela. Se o pássaro voar, o ciumento perde o contato com a referência externa de liberdade. Com o pássaro por perto, na gaiola, o ciumento vive uma ilusão de liberdade ao mesmo tempo em que odeia o “pássaro” humano, que concedeu se deixar aprisionar, concordou em não ser livre. O ciumento entra em “parafuso’ com isso porque, na medida em que o outro, que o encantara justamente pela leveza e liberdade, a seu mando, concordou em ser aprisionado, deixou de ser ele mesmo e passou a ser um espelho do ciumento que passa a odiar a si próprio no outro. Se essa situação se prolonga, OS DOIS adoecem. Se o “pássaro” voar, o ciumento agora será obrigado a desenvolver a sua própria liberdade ou amargurar-se…ou achar outro “pássaro” que conceda nessa relação indigna. A cura do ciúme está na percepção de que cada um é único e precioso para alguém com quem tenha alto grau de afinidade e que a “perda” de uma relação é apenas um degrau para relações melhores, no eterno aprendizado relacional no qual vivemos.