O que substitui a culpa, o que a faz desaparecer, é a aceitação profunda, a consciência de que o erro, mesmo lesivo, é necessário para o aprendizado (de quem lesa e de quem é lesado). Indo mais fundo um pouco, culpa, além da percepção incômoda de que causamos lesão, é medo de punição. Perdão é fruto de estar bem, em harmonia consigo mesmo e com o outro, mesmo se tendo errado. Se eu aceito o meu erro, aceito o do outro. Se eu me perdôo, perdôo o outro. O mecanismo que pode nos avisar de que podemos fazer melhor é a constante expansão da consciência. Começando pelo desenvolvimento da percepção do outro (empatia) e pela percepção de nós mesmos. Nada melhor do que a meditação para ambas as coisas. Isso reduz a atuação dos mecanismos de auto sabotagem que fazem com que façamos algumas coisas pela metade sem que nos demos conta disso. Por exemplo: Eu faço algo errado e só vou perceber depois, às vezes por queixas de terceiros. Se eu desenvolvo a empatia e pratico meditação, os erros serão bem menores. Porque estou mais em contato comigo mesmo e com o outro. A culpa se tornou tão enraizada em nossas vidas porque os poderes (morais, políticos, religiosos, etc. que contam com a nossa conivência ainda que por omissão nossa) que ditam a nossa ética, o fazem de forma a nos colocar em constante sensação de débito e sujeitos a punição. As regras para vivermos uma vida em sociedade são imprescindíveis, mas quando excedem, e excedem mesmo, tornam-se castradoras de sentimentos, emoções e certas práticas. É aí que nasce a culpa compulsiva e …desnecessária. Outra vez aqui também vale, como cura, o desenvolvimento da empatia e da meditação. Porque ambos nos colocam em contato com a nossa essência, com uma ética que não precisou ser inventada para dar certo e é mais construtiva e saudável do que as que criamos para as sociedades. A ética da nossa natureza relacional.