Há um culto ao sofrimento.

Há uma crença de que são necessárias muitas lágrimas para merecermos um tímido sorriso.

Há uma semeada sensação de imerecimento da paz interior.

Há uma culpa atávica de viver o prazer.

Há um disseminado constrangimento de abraçar com carinho.

 

Há um pavor atávico de olhar o olhar do outro longa e desinteressadamente.

Há um desconforto em parecer-se o que, de fato, se é.

Há uma idéia imposta de que somos essencialmente muito diferentes.

Há uma negação quase instintiva de se receber carinho.

Há uma falsa certeza inconsciente de que se é desprezível.

Há uma tristeza inexplicavelmente pronta para se instalar em momentos de solidão.

Há um tonel de lágrimas proibidas.

Há um calar o canto do encanto.

 

Há um aplauso pronto para o ódio expresso.

 

 

Porque…

 

 

 

Há uma imensidão de amores impedidos e guardados.

Amemo-nos. Sejamosnós!