Afeto, no sentido popular, que é o que eu uso, está relacionado a carinho, carícia e generosidade e,

nesse sentido, o sentimento de afeto, em sí, é sempre digno. O exercício é que pode não ser.
Não se trata de montar uma planilha do Excel e, nela, registrar-se cada ato de um lado e
cada ato do outro para, em seguida, verificar os números e forçar uma equiparação de
atitudes e daí cobrar ou pagar afetos atrasados ou criar créditos afetivos. Dessa forma
entrariamos no terreno da mesquinharia e subsequente chantagem emocional.

NÃO É POR AÍ

Exercer o afeto com dignidade é interagir com alguém (ou grupo), trocando afeto na
mesma proporção e em intensidades de entrega parecidas. Se você mais dá do que recebe,
a sua autoestima cai. NÃO É DIGNO. Se você mais recebe do que dá tambem não é
saudável, você pode, por exemplo, se sentir em dívida (sem motivo) ou simplesmente incomodado

com a dinâmica excessiva da outra pessoa em relação à você. Também NÃO É DIGNO.
Sentir e perceber, antes, o grau de afinidade existente entre a outra pessoa e você, é o
melhor parâmetro para iniciarmos uma dinâmica relacional com base na reciprocidade
afetiva.
Sempre que entra em uma relação, você pode, com atos e atitudes, propor a dinâmica relacional.

Isso é natural e necessário. Você precisa mostrar como VOCÊ sente a relação e como SE sente NA

relação. A outra pessoa, naturalmente, fará o mesmo. Se as intensidades forem as mesmas, o que é

raro logo de cara, ótimo. Se as intensidades forem diferentes e as pessoas NA relação forem

perceptivas e generosas, vão, cautelosamente, procurando os pontos em comum, as afinidades para

que, nelas, se estabeleça o “chão”, a base da relação.
Se esta base se tornar sólida, a segurança na relação será maior e essa relação é candidata a ser

uma boa e prazerosa ligação. O que garante esse sucesso é a qualidade do afeto trocado

reciprocamente numa dinâmica sincrônica. É a percepção da reciprocidade que as pessoas envolvidas

precisam ter para exercerem seus afetos não se tornando excessivas, invasivas ou incômodas por

um lado ou cativas por outro.

Isto é o digno exercíco do afeto. Onde ninguém se sente ou é devedor ou credor de afeto. Êle flui

numa dinâmica naturalmente recíproca e sincrônica. Se a coisa sair do prumo simplesmente não de

mais do que recebe e nem receba mais do que dá.

E NADA DE MAUS SENTIMENTOS!!!