Ah êle tem esse jeitinho assim mas, no fundo, é uma pessoa linda.

No fundo, no fundo Calígula também era uma pessoa linda. Torquemada (da Santa Inquisição) também era.

Só no fundo não interessa!

A forma É o conteúdo. No fundo, no fundo todos nós somos pessoas lindas.

Só isso não adianta nada!

Qualquer deficiência de caráter ou de personalidade que alguém tenha, que o torne arrogante, agressivo, neurastênico, mal humorado, interesseiro, maldoso, destrutivo, intolerante, etc. O TORNA uma pessoa desagradável, um chato e/ou um insuportavel. Uma pessoa feia e não uma pessoa linda. Por mais que tenha um pensamento lindo sobre tudo, por mais que tenha criado coisas maravilhosas, por mais que cuide materialmente de segundos e terceiros, por mais que de conselhos maravilhosos. Se o “temperamento” ruim e/ou a personalidade complicada e/ou o carater deformado existem, a pessoa NÃO é linda.



É PROBLEMÁTICA.



E faz da vida alheia um inferno. Coloca os outros em ansiedade, desqualifica os outros, persegue ideológicamente, exerce ciúme e inveja de forma destrutiva, enfim, sufoca o outro!

Isso não é pessoa linda, é pessoa feia!!!



Ah êle tem esse jeitinho assim mas, no fundo, é uma pessoa linda.



Já observei que, geralmente, essa expressão é usada para referir-se à pessoas que tem algum poder. E, quem usa, está DEBAIXO, desse poder. É uma desculpa para continuar suportando esse poder, pelo menos, com cara de dignidade. E, de quebra ainda vende uma imagem de “santa tolerância que enxerga as pessoa no fundo”. Mas é indigno.

Fica mais ridícula a exteriorização dessa desculpa do que a própria submissão ao chato-poderoso.

Melhor seria dizer:

“Ah ele tem esse jeitinho assim mas, no fundo, eu não sei viver sem o poder dele”.

Mais honesto.

Mas como vivemos sob a égide da “Nossa Senhora Da Hipocrisia”, é mais prudente usar a frase ridícula.



Todo mundo entende a mentira mas faz de conta que é verdade.

Amém.