Meu Deus! Um dos casos campeões de recorrência no meu consultório de coach é:

“Mamãe com inveja da filha que está se tornando mulher”

Dá até sono !!!Quando isso acontece é porque mamãe não fez da vida o que quis e não elaborou bem as frustrações. Tornou-se uma frustrada amargurada, ressentida, magoada, azeda, etc.

Tem mãe que percebe a bobagem que fez da própria vida e vai se tratar. Aí dá até pra ter uma vida feliz, trocando afeto com pessoas afins digninamente.

Mas tem mãe que se tranca na amargura e se projeta desastrosamente na filha. “Eu não fiz mas a minha filha VAI fazer”.
Aí começa a tortura, o sequestro e o “inferno em vida” dessa filha.

Pensamento ou sensação inconsciente: “Minha filha está se tornando mulher, está ficando mais bonita do que eu, mais gostosa do que eu, mais atraente do que eu portanto, mais poderosa do que eu. Que ódio!!! Morro de inveja!!! Com a minha cabeça de hoje aliada à juventude dela, ninguém faria o que fizeram comigo. Mas com a minha filha EU não vou deixar que aconteça igual, ela será o que eu não consegui ser”

Assim…

Atos:
“A minha filha terá que fazer da vida tudo aquilo que eu não consegui, do jeito que eu idealizei”
“Eu é que sei o que é melhor para a minha filha, sei isso até melhor do que ela mesma”
“Eu e minha filha somos como uma só pessoa, num pacto de cumplicidade e parceria contra as mulheres invejosas e os homens aproveitadores”
“A minha filha jamais se entregará a um homem a não ser que esteja absolutamente garantido o vínculo material e social”
“A minha filha seguirá a carreira que eu não consegui seguir, só assim ela será profissionalmente realizada”
“A minha filha terá o melhor que a vida pode dar e esse melhor eu é que sei o que é”
“A minha filha dará sequência aos meus valores morais, afetivos e materiais” etc. etc. etc.

Na adolescência da filha a mãe começa com o “Projeto Sufoco”.
E vai….até a maturidade emocional que é, mais ou menos (na melhor das hipóteses), aso 25 anos. Que é quando o ser humano civilizado se sente fortificado para romper com os valores dos pais e passar a viver conforme os seus próprios.

Nesse período de aproximadamente 12 anos (dos 13 aos 25) a mulher em (de)formação recebe, da mãe, todos os sinais de que é indigna, não tem direito a pensamento próprio, não tem direito ao livre exercício da sexualidade com leveza e alegria, não sabe o que é melhor para si própria, não tem direito a pensar sequer, por si própria. Sente que, se pensar por sua própria cabeça, estará ofendendo a (santa) mãe. Equivocada santidade!

O mais sordidamente interessante é que, por trás de todas essas, aparentemente bem intencionadas atitudes, está a inveja destruidora. Essa mãe NÃO CONSEGUE ver a filha mais feliz do que ela própria. Em seu pensamento mesquinho, a felicidade da filha revela a incompetência da mãe. (Meu Deus!!! se a filha é feliz é, também, porque a mãe fez o serviço bem feito!!!!!)

As mães que agem dessa forma, e não são poucas, estão literalmente usando suas filhas como alavancas de realização e correção das suas frustrações e erros pessoais. Essas mães estão acorrentadas ao passado de infelicidade e investindo numa tentativa vã de fazerem com que suas filhas dêem a própria vida para arrebentar essa corrente maldita. E o pior é que, além de não resolver, acaba com a vida da filha.

-Ora mamãe, vai fazer terapia, vai fazer um tratamento espiritual, vai fazer teatro (é a melhor terapia ocupacional para esses casos), vai fazer beneficência, vai fazer sexo bem feito! Vai se realizar em VOCÊ !!!

Seja cúmplice e não comparsa da sua filha! Seja amiga e não sócia dela!A vida dela é dela, não a roube. A sua vida é sua. Ou era pra ser.

Se você a vendeu barato ou a desperdiçou, pague você essa conta!!!!

 A sua filha não tem nada com isso.

 

Ela tem direito à vida…

…dela.

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