Ser afetuoso, optar pela forma generosa, atenciosa, amorosa, hoje em dia, é também aprender a lidar com a rejeição sem deixar de ser afetuoso. Isso porque o afetuoso é excessão.

No ambiente de guerra, do socia,l êle é sempre o mais frágil e precisa ser muito forte para manter o afeto num ambiente sempre hostil. Precisa ver com clareza e ter certeza absoluta dos seus valores para manter-se convicto e em exercício pleno de afeto. Saber perdoar é essencial. A si próprio e aos outros.

O afeto honesto não é socialmente conveniente e nem cria atalhos. Isso seria bajulação (arma de guerra no social). O “ser afetuoso” custa caro e só tem cacife pra pagar quem tem bom caráter e convicção amorosa. O ser afetuoso exige um interminável trabalho de auto-correção que só é possível com humildade e persistência.

Esse trabalho começa na percepção das falhas no auto-conceito, na auto-imagem e do exercício da auto-estima. Auto-estima, isso mesmo. Pode parecer simplista demais mas é o fato. Quem não desenvolve uma boa auto-estima (diferente de narcisismo) não é capaz de ser afetuoso com os outros. A gente sabe que a humanidade é ainda uma tentativa e não terá sucesso enquanto não priorizar o afeto em TODAS as relações.

O exercício do afeto tem o seu preço. É caro, mas depois que você o apreende, é gratis e de uso vitalício.

Assim como o desafeto é consenso na nossa sociedade, por pura imitação; o afeto também o poderá ser. E mais, é que, sendo afetuoso, além de se fazer um grande bem, você deixa uma semente imortal no seu semelhante. E ela, um dia, irreversivelmente, brotará.

O afeto pode custar caro, mas é pra sempre.