Nós pedimos muito que essa coisa aconteça em nossas vidas. Mas quando o amor acontece, a maioria de nós não sabe o que fazer com ele. Aí, em vez de aumentar, vai morrendo asfixiado pelas exigências circunstanciais às quais o condicionamos. Muitos de nós acham que o amor é um fenômeno a ser vivido funcionalmente. Assim: O amor “serve” pra casar. O amor “serve” pra manter os vínculos familiares. O amor “serve” para se conseguir um bom sexo. Pior ainda quando exigimos a existência do amor para “servir” a determinados vínculos. Tipo: Você TEM que amar a sua irmã, o seu filho, a sua tia, se bem que tia pode amar menos um pouquinho (ridículo) mas mãe…ai ai….ai de você se não amar a sua mãe, o seu pai! Ou mais terrivel ainda, usar o amor para se conseguir uma situação confortável na vida, alcançar ou subir de posto no trabalho.
Tem muita gente querendo o amor pra encher barriga. O que enche barriga de comida já não é amor, é armação, é esquema. O amor só enche barriga quando a mulher fica grávida.

O legal é voce conseguir sentir amor por todo mundo. Mas voce nunca vai conseguir isso a partir de um contrato, escrito ou não, e muito menos se for obrigado a sentir. Pradoxo total: obrigação de sentimento. O melhor sentimento que se pode obter disso é o sentimento de obrigação, que não tem nada a ver com o amor, gera stress e muita, mas muuuuita culpa. A mãe que cuida de um filho por obrigação está ensinando a ele o DESAMOR. Nesse caso o compromisso é com a obrigação, e não tem nada pior e mais mal feito do que aquilo que se faz por obrigação. As obras mais bonitas que o homem faz, são aquelas feitas por e com amor. O filho mais bem educado é aquele que foi educado com amor. Mesmo que a mãe tenha se sentido pressionada pela obrigação de cuidar, se o amor foi bem maior do que a obrigação, o filho aprendeu amor.

Amor não é pra usar, é pra sentir e exercer.

Quando voce coloca o amor “à serviço” de qualquer coisa, já não é amor.
O contrário sim: As coisas à serviço do amor. Você faz algo porque SENTE amor por aquilo que faz. Exemplo simples:

“Já que eu amo aquela mulher, vou aproveitar pra beijar, pra viajar, pra apresentar à sociedade, pra fazer sexo, pra morar junto, etc.” Assim, o amor acaba antes mesmo de ter começado a ser vivido, antes do primeiro beijo. O desejo se “aproveita” do amor para se satisfazer, e acaba ocupando o lugar do amor.

Agora: “O amor que eu sinto por aquela mulher faz com que eu a beije, com que eu tenha sexo com ela, com que eu queira viajar com ela, etc. ” Diferença muito sutil, caro leitor, mas fundamental. Neste caso o amor é que “dá ideia” para o desejo. Se a gente deixa o amor respirar, existir, inspirar, ele dura mais…muuuuito mais.

No primeiro e infeliz caso, a pessoa quer um amor pra fazer aquelas coisas que ela acha que tem OBRIGAÇÃO SOCIAL de fazer. “Bem, já que eu TENHO que cumprir esse monte de obrigações sociais (casar, ter filhos, construir patrimônio, mostrar pra todo mundo que sou um vencedor social), é melhor que eu o faça ao lado de quem eu amo e que me ame”. Dá pra ver aí que o amor ficou fora do foco, ele está servindo de suporte emocional para o cara atender as massacrantes solicitações sociais. O foco aqui é esse: ATENDER AS SOLICITAÇÕES SOCIAS. Faz contrato (escrito ou combinado) e vamo pra guerra.

E o amor?

Bem, o amor existe, a gente sente. Só que desse jeito acaba rapidinho. E quando acaba, o sucesso social vira “ponto de honra”. “Nós não somos felizes mas estamos juntos, [haja o que hajar]”.

Nunca, mas nunca mesmo é bom colocar o amor à serviço de nada!!!! As coisas é que tem que servir ao amor. Quando as coisas servem ao amor, o amor não acaba.

Essa bagunça social, economica, cultural, moral que a gente tá vivendo vem disso: DA INTENÇÃO DE COLOCAR O AMOR A SERVIÇO DA COISAS.

Famosa e equivocada frase de efeito: “VOCÊ TEM QUE AMAR O QUE FAZ”
O amor não é voluntário. Você não diz: “Vou amar aquela pessoa, e ama”. O amor acontece, ou não. Manipular isto traz consequencias terríveis.

Corrigindo a frase: “VOCÊ AMA ALGO, DAÍ O FAZ”

Será que todo mundo quer amar?