Se existe um grupo de pessoas, que tem como regra básica ou filosofia de relacionamento a colaboração mútua, sem cargos restritos à determinadas atividades e onde a colaboração acontece de acordo com o momento e com o que cada um pode oferecer, sem que isso implique em superioridade de quem é mais hábil ou inferioridade de quem seja menos hábil, isto elimina a competição, portanto, a dominação, portanto o poder de uns sobre os outros.

Com isto sairíamos da perversão numero 2 em que nosso atual comportamento se enquadra: O de guerreiros. Ninguém mais mataria ninguém por poder, apenas por eventual loucura.

Nas condições do primeiro parágrafo, ninguém precisaria eliminar ninguém, todo mundo “serve” para alguma coisa e, naturalmente, essa “coisa” vai sendo mostrada pela vida afora. A tal da vocação. Se bem tratado, o ser humano a percebe mais rápidamente e se se sentir livre para exercê-la a exercerá mais proveitosamente, para si e para os outros.

Do jeito que estamos nos comportando, como guerreiros, não há quase possibilidade de chegarmos a um convívio harmonioso. Estamos uniformizados, armados e entrincheirados na “santa” guerra de cada dia.

O que faz um soldado que, no meio da guerra, percebeu a total falta de sentido para aquilo, não aguenta mais e não quer matar seus semelhantes em nome de nada?

Deserta.
O que acontece com os desertores?
Varia de cultura para cultura, mas são todos severamente punidos.

Se você pudesse experimentar como é a sensação de “desertar” dessa guerra mundial em que vivemos, você ousaria?

Em sã consciência creio que não pois sabe que seria esmagado moral, psicológica e físicamente rapidinho.

Poderia tentar fazer algo parecido com o cantor de rap que reclamaria tagarelamente de tudo, mostraria sua revolta, criaria um uniforme especial, se entrincheiraria no gueto dos rapers, arrebanharia um bando de seguidores também guerreiros contra o sistema, mas…ainda assim estaria guerreando. Ops…não deu.

Experimente tirar o uniforme…isso fique . Faça isso onde outras pessoas também o fazem, com respeito, sem preconceito social, cultural ou econômico. Aí você não será massacrado, ao contrário será tratado de acordo com o primeiro parágrafo.

O que???? Libertinagem, licenciosidade, perversão???
Ahhhh, você ainda associa nudez a sexo. Que pena! A mídia te programou pra isso.

Então não vá…você sairá da civilização mas a civilização não sairá de você.
Você vai acabar estragando o excelente astral do lugar onde famílias e amigos desfrutam desse upgrade de comportamento, esse quase paraíso.

Porque você acha que a indústria fashion se assemelha tanto em competitividade, crueldade e rigor ao mundo dos militares? Porque é a indústria das fardas do exército sociail.

Você não faz idéia do que é tirar a farda de soldado da civilização e sentir que não tem de que se proteger!

Você não faz idéia do que é olhar e ser olhado com respeito pelo que você é e não pela “patente” militar que ocupa no exército da civilização guerreira.

Você não tem idéia do que é iniciar uma relação amorosa pelo encanto que venha a acontecer entre outra pessoa e você e não pelo que um pode representar para o outro no alpinismo e entrincheiramento social.

Só tem um detalhe: A nossa tão querida evolução do agrupamento humano passa necessáriamente por ai.

Depois disso restará só deixarmos de ser caçadores, mas se você nem consegue tirar a farda de guerreiro, esqueça.

E não adianta querer pular etapa tipo não caçar e continuar guerreiro…vai ter que voltar e resolver o guerreiro.