Tenho certeza de que todos os caros leitores são excelentes críticos da dramaturgia pop pois nunca ela foi tão grande, diversa e exposta.
É inclusive a arma mais poderosa do PODER para manter o gado humano passivo e imbecilizado.

Viver um personagem é encarnar uma personalidade, um caráter, dar vida a alguém imaginado por um escritor dramaturgo, passar ao público toda a verdade possível do conteúdo do personagem.

O PERSONAGEM na sua íntegra é a meta do ator. O seu jeito de ser que inclui o seu modo de pensar, os seus medos, as suas tristezas, as suas dores, a presença do seu passado em seus gestos e traços de personalidade, os movimentos faciais, o modo de olhar, de sorrir, de chorar, o olhar, etc.

O ator vive outrem. Precisa deixar de ser a si próprio para ser seu personagem. Saber profundamente quem ele é e vive-lo. Doar-se por inteiro a êle. Principalmente se for um personagem cômico. É preciso, além de tudo isso, emprestar o seu ser ao rídículo. Ser tão rizível quanto o personagem exige e isso não é todo grande ator que tem a grandeza de fazer. (vale dar uma lida no capítulo Humor ou Gozação)

O ator estuda muitas técnicas e escolas, mas na hora do palco essas técnicas tem que ser esquecidas. Elas ajudaram muito na fase de laboratório da elaboração e da incorporação do personagem, mas essa fase termina quando o ator sobe ao palco. Ali só cabe o personagem pronto.
Muitos atores preferem amadurecer o personagem diante do público, é mais cômodo. O público neste caso colabora com o amadurecimento da relação ator/personagem e por isso deveria pagar só meia entrada para a coisa ser mais honesta.

Será que temos bons atores mesmo na dramaturgia da mídia?

Será que cabe na dramaturgia pop o bom trabalho de um ator?

Se deu audiência, a mídia quer aquele jeitinho de sorrir da Julia Roberts outra vez.
A truculenta frieza do Robert De Niro (gangster).
A dignidade classe média da Susan Sarandon.
A arrogante empáfia de Sean Connery. Ator não pode ter vício fonético. Este ator troca “S” por “J” SEMPRE.
Clichês, clichês e mais clichês.

Ora senhores, a mídia não quer atores. Quer pessoas que dão audiência, vivendo situações que dão audiência.
O Al Pacino diz que não dá entrevistas para que as pessoas não confundam seu jeito de ser com seus personagens e vice-versa.
Mas ele tem sempre a mesma expressão facial, o mesmo jeito de andar, de ficar bravo, a mesma canseira existencial expressa na face de seus diversos (me perdoem os deuses da dramaturgia) “personagens”. Não é personagem, É ÊLE! São eles, as pessoas.

Leitor, isto não é crítica, é apenas para lembrar o que estamos vendo há décadas. Pessoas talentosas e carismáticas encenando situações. Ator é muuuuuuiiiiiito mais do que isso, como vimos acima. Mas a cultura pop não permite.

Se tem bons atores na mídia, na mídia não dá pra ver.

No teatro sim, mas preste bem atenção nesses itens básicos e conclua se eles estão só aproveitando a carona do filme, do seriado, da novela ou se estão exercendo a divina arte da dramaturgia como atores dignos.

Há uma diferença entre Arte que entretem e só entretenimento.