Parece óbvia essa afirmação, mas quando sublimada nas relações humanas, a obviedade é trocada pela penumbra da invasão, da presunção, da transferência e da manipulação. Se alguem nos dá um bom conselho e resolvemos seguir e dá certo é maravilhoso. O próximo passo (principalmente se não for fácil seguir o bom conselho) é conferir se o conselheiro faz o que fala. Em qualquer um dos casos essa conferência nasce da idéia erronea de que existe uma identidade de interesses e de momentos entre aconselhado e conselheiro. O óbvio fica obscuro: NINGUÉM É IGUAL A NINGUÉM.

Alguém vê algo no outro e aconselha. O aconselhado segue se quiser. Qualquer que seja a escolha ela não o torna nem menos nem mais que o conselheiro.
Qualquer um tem um bom conselho para nos dar.

Imaginemos um bêbado na sargeta nos dizendo: “Uma pinguinha não faz mal”.
Considerando que se trata de um alcoólatra, é patético, parece indigno de confiança.

Mas….

É verdade !!! Uma pinguinha não faz mal MESMO. Uma. Umazinha.

Mas não é isso que entendemos quando sai da boca de um alcoólatra na sargeta porque agregamos, POR NOSSA CONTA, que da boca de um desequilibrado não sai coisa boa….

rsrsrsr ai ai…me diverte essa pobreza.

Se fosse assim eu mesmo não teria aprendido nada, NADA na minha vida. Teria julgado meus professores preconceituosamente e permanecido numa ignorância que me privaria de muita coisa boa que vivo, graças a alguns conhecimentos que adquiri com eles. Muitas vezes a duras penas.

EM ALGUM GRAU

todo mundo é desequilibrado, contraditório, mentiroso, mesquinho, ladrão de energia, interesseiro, arrogante, predador, etc etc etc

Conhecimento custa. Raros são os que não cobram e não estou falando de dinheiro.

Pode custar a humilhação de um professor arrogante, pode custar a tristeza de ver um professor definhar porque não faz o que fala, pode custar o mau trato pelo preconceito do professor, pode custar a energia que vai pelo ralo por causa da inveja do professor ou do aluno e tudo isso vale tambem do aluno para o professor.

Sugiro humildemente que, ao entregar a próxima carta, você não a atire na cara do destinatário simplesmente por que ele não é do jeito que voce queria que ele fosse. Simplesmente entregue. Não cobre nenhuma reação e não se sinta infeliz por ele não fazer o que diz a carta. Cada um tem seu tempo e seu momento. Não acelere o rio, você pode causar um tsuname e afogar o seu destinatário. Você não é O Deus, você é Deus. (Deus substantivo é ego manipulador ansioso. Deus verbo é acontecer…)

Finalmente sugiro, tambem humildemente que, ao receber a próxima carta, não se decepcione se o carteiro não for o que diz a carta. Ele é SÓ um mensageiro. Agradeça por ele te-la trazido até você e pronto. E quanto ao conteúdo da carta, faça o que o seu coração indicar…

…mas mantenhamos a correspondência…em todos os sentidos.