Tudo o que o homem constroi precisa de manutenção.
A natureza não precisa de manutenção.
A obra humana não tem nada de harmônica com a natureza e é invariavelmente predatória.
Um pouco mais, um pouco menos mas é sempre destrutiva.

Se a relação entre os homens fosse harmônica, daria até pra deduzir que não somos deste planeta, fomos “implantados” aqui ou coisa assim. Mas não é. Como já disse em outro capítulo, estamos agindo como uma praga. Até aí tudo bem. Praga é praga e acabou. Se destroi e tchau.
Mas o que me intriga, e provavelmente ao leitor tambem, é que PARECE que nós temos a opção de fazer diferente.

Individualmente conseguimos um sofisticadíssimo nível de pensamento a respeito de nós mesmos e do coletivo. Daí parecer ser possível.
Coletivamente, na soma algébrica, a qualidade do nosso pensamento é quase nula. Daí parecer ser impossível.

Probabilidades à parte, seria preciso apenas agir de acordo com a consciência e que esta fosse coletiva e sem interferencias humanas destrutivas…Todo mundo pensando e agindo quase igual.
Se olharmos pelo retrovisor da história isso é quase uma piada. Se observarmos o momento presente (2008) a idéia tem cara de impossível. Se olharmos para o futuro, aí até pode ser…porque o futuro não existe. O passado não existe MAIS. O futuro AINDA não existe.
A única coisa que existe mesmo é o agora, que não dá pra avaliar porque, a cada instante…já passou. O que existe é a atitude, a ação…até pra fazer nada. Como é que muda a ação?
Não é pensando em mudar, é agindo, do jeito percebido como melhor.

Aí está o problema: O que temos considerado como “jeito percebido como melhor” está com defeito de paralização da percepção. Como conserta a percepção? Com uma “ficha” que cai, um insight. Ninguem controla isso, nem de fora, nem de dentro. Como é que alguem para de fumar? Parando. Caiu a “ficha”. Se parou sem “ficha”, vai voltar a fumar.

O insight acontece, até onde eu sei, por uma combinação de estímulos internos e externos.
A consciência se abre para uma percepção. Isso não tem volta. Daí o que a pessoa vai fazer com a percepção, é uma outra história.

Uma paisagem pode ajudar a provocar um insight, uma criança rindo, um tropeção na rua ou na vida, uma pessoa falando.
O melhor e mais profundo insight é o causado por uma pessoa FAZENDO. O melhor mestre é o exemplo desde que o discípulo queira o aprendizado, é óbvio. Mas é mais de meio caminho andado porque o cérebro é basicamente imitativo.

Ora, se o leitor concorda que precisamos chegar à harmonia com a natureza, então o negócio fazer diferente a cada instante. Passar a abrir mão de tudo que precise de manutenção. Cada um dentro do seu possível, mas fazer e falar que está fazendo e porque está fazendo. Só NÓS podemos mudar o que NÓS temos feito. Vai custar caro, muuuuuuuito caro, mas é o único jeito. Sem líderes, sem chefes, sem regras, sem cobranças, sem controles… Apenas fazer e torcer para ser imitado.

Creio que seriam necessárias umas 10 gerações de pessoas convictas se desfazendo de tudo o que necessita de manutenção para que nos harmonizássemos com a natureza ( a NOSSA e a do PLANETA que, no fundo, são a mesma coisa)

Em nome da manutenção harmônica e saudável da nossa espécie aqui no planeta, temos que abrir mão de tudo que fazemos que necessite de manutenção.

Em harmonia com a natureza, tudo o que importa está mantido.