Nós ainda não percebemos que fazemos parte, juntos, de uma única “coisa”, um ser.
Essa percepção ainda está praticamente só no inconsciente, coletivo e individual. O fato é que a humanidade é como um corpo composto de indivíduos necessariamente relacionais. Essa relação tem sua ética e decorrente moral determinadas pela natureza. Lembrando que ética é aquilo que qualquer coletividade decide COMO exercer a trilogia: 1 Eu devo 2 Eu posso 3 Eu quero.

Quando um individuo ou grupo age de forma destrutiva em relação ao todo, à coletividade, ele gera, automáticamente, um débito. Mesmo que a civilização à qual ele pertença aprove esse ato a sua natureza entende certo e registra como erro. Esse débito é “carimbado” no seu inconsciente e lá fica. Vem para o consciente sob a forma de culpa que fica estampada na cara e no corpo todo. Permeia todas as formas de expressão. Entorta o individuo. Ele passa a carregar a terrivel sensação (consciente ou não) de marginal de sua própria nartureza. Sensação de indignidade e baixa auto-estima são decorrencias naturais.

Desde que nascemos, esse código de ética da natureza já faz parte de nós. A natureza tem suas próprias leis e nós, obviamente, fazemos parte dela.

MAS…

…como os códigos de ética das civilizações humanas são, muitas vezes, contrários aos da natureza, vivemos em conflito permanente. De diversas maneiras e em diversas nuances, para acertarmos com a civilização precisamos errar com a natureza e para acertarmos com a natureza precisamos errar com a civilização.

Na incessante dinâmica do cotidiano somos colocados diante desta questão o tempo todo. Se optarmos por uma vida consciente, temos que decidir rápido que caminho seguir a cada segundo.
Como isso se torna muito cansativo e estressante ligamos o piloto automático que, em caso de dúvida, decide por nós sempre a favor da civilização.
Assim a quantidade de débitos (culpas) registrados acaba ficando imensamente incontavel e praticamente impagável.

A civilização pune publica e imediatamente o erro, de forma clara e conhecida. A natureza tambem, só que, como fingimos não ver o erro e contamos com o apoio da civilização para contrariar a natureza, o errado fica parecendo certo, e, às vezes, até mesmo natural.
“Ah, é da natureza humana”. Erro é erro e, por incrível que possa parecer, a natureza é implacável no “alerta” que faz. Se a nossa reação não for a de corrigir o erro, através da “nossa” natureza, NÓS MESMOS NOS PUNIMOS. Como? Primeiro que nem parece punição, é um mal estar, um desânimo, uma dor de cabeça periódica, uma doença qualquer, física, mental e/ou emocional.

É precisamente aí que entram os negociantes trapaceiros dessas dividas aparentemente impagáveis.
Eles criam a ideia de um ser que está acima da humanidade, portanto tem poder e autoridade, que criou tudo isso, dão a ele o nome de Deus, criam um clube e prometem que se voce frequentá-lo e compactuar com a ética proposta por eles estárá RE-ligado ao criador. Como a vítima já carrega a sensação de culpa, eles se arrogam o poder de anulá-las se o sujeito aceitar e viver conforme as regras. Em troca dão uma falsa sensação de dignidade e uma falsa sensação de estar perdoado. Todo mundo sabe, bem no fundo, que não é assim, mas como não ve outra saida…aceita. É mais confortável fingir pra si mesmo que se está perdoado do que encarar o erro e tentar corrigi-lo a cada segundo. Dá um TRABALHO!!!

É a nossa natureza que nos faz sentir mal quando erramos. É o único jeito que ela tem de alertar o espécime ou grupo no sentido de manter a harmonia DELA (NOSSA). Ninguem pode desculpar ninguem. Cada um SE corrige.
A sabedoria está em NÃO SE IDENTIFICAR COM O ERRO. Pronto, resolvido. O erro é uma etapa natural do aprendizado, bola pra frente rumo à correção, à harmonia.

A perfeição da dinâmica da natureza inclui uma dose saudável da chamada MARGEM DE ERRO.

A natureza gera espécies. Elas tem um tempo de duração e, naturalmente, se extinguem.
É assim que funciona.
Esta é harmonia, fica, está em desarmonia, some.

Deus castiga?
Quem é Deus?
Deus é a harmonia?

Desarmonia é fruto do erro.
Harmonia é fruto do acerto.
Harmonia castiga?

Deus não castiga, nós nos castigamos.

O que nós chamamos de castigo é apenas um alarme da natureza para que a gente perceba e corrija um erro, uma desarmonia.