Nesses quase 20 anos atendendo, seja como professor, seja como consultor, seja como terapeuta holístico (oh coisinha vaga essa qualificação) talvez a questão mais frequente das pessoas seja: “Como eu sou?”, “Qual é o MEU jeito?”. O fato de eu trabalhar com áudio e vídeo, gravando depoimentos das pessoas e analisando-os em seguida, JUNTO com a pessoa, ajuda muito a chegar próximo ou à resposta mesmo dessa pergunta individual.

Quando alguem se vê no vídeo ou ouve sua própria voz gravada, leva um choque. Esse choque acontece porque nós fazemos as caras e cantamos as palavras do jeito que OS OUTROS exigem que façamos. Essa exigência não é explicita em palavras (como todas as piores censuras que sofremos e exercemos) mas NA CARA que o outro faz quando falamos.
Ao longo da vida, essas caras exigentes vão CONFORMANDO a nossa cara e a forma como cantamos as palavras. Só que a gente não percebe isso, a gente vai se conformando com esse conflito entre O que somos (pra dentro) e o COMO somos (pra fora) e paramos de percebê-lo.

SOME-SE A ISSO……

Um detalhe importante é que essa exigencia externa em relação à forma como somos (e obvia não aceitação da nossa forma “original”) joga a nossa auto estima pra baixo…muuuuuito pra baixo. A gente questiona mesmo se valemos, “em estado original”, alguma coisa para os outros e acabamos fechando com a idéia de que não valemos.
Daí criamos um personagem “aceitável” o máximo possível.

PROBLEMA…

Por mais bem elaborado que seja esse personagem, ele nunca é como achamos que está aparentando porque, constantemente, está alí no nosso exercício, também a NOSSA pessoa.

A palavra pessoa vem de persona…per-sona…soa através…”soa EU”. Mas aí, se eu crio uma persona socialmente conveniente pra disfarçar a MINHA persona, pra oculta-la, nega-la, isso dá problema.
Sufoca o original e, sufocado, o original tem, cada vez menos, energia para fazer o personagem social, que vai ficando uma mentira cada vez mais descarada e, do outro lado, o de dentro, uma pessoa cada vez mais fraca. É o pavor disso ficar aparente que gera a TIMIDEZ. “Vão descobrir que eu sou uma farsa”.

Daí um belo dia, numa festa, num evento, alguem grava a nossa imagem e, quando vemos, é um desastre, um choque mesmo. O comentário: “Que horrível!!!!” esconde o desespero: “Eu não consigo disfarçar, que péssimo fingidor eu sou!!!!”

Depois de uns anos de salada de persona a gente fica perdido, cansado, confuso e vem a pergunta: “Como eu sou MESMO, o original?”

A resposta está dentro, diria um Gurú (com toda a razão). Mas dentro, para esse estado de confusão, às vezes é uma sala caótica, com tudo revirado e bagunçado.
É claro que meditação ajuda sempre, é pura saúde.

Se, depois da meditação, a percepção da persona verdadeira ainda for difícil, o melhor é focar no sentimento.

Como assim?

Se você sente admiração por uma determinada forma de uma pessoa falar, esse é o SEU jeito de falar.
Se você sente alegria ou qualquer outro sentimento agradável ao ouvir uma música, esse é o SEU gosto musical.
Se você gosta da maneira como uma pessoa se veste, esse é o SEU estilo…

…e assim por diante, sempre adaptando tudo ao SEU jeito que é único.

Cuidado!

Não se trata de imitar comportamento ou de criar outra personalidade, mas de descobrir a sua através do que te dá prazer independente do que as pessoas esperam de você.

Como eu sou?

Eu sou do jeito daquilo de que eu gosto.
Quando a sala da personalidade estiver bagunçada, essa é a referencia.
Aquilo de que você gosta.

Faça o teste: Ligue a televisão e assista por uns minutos SEM ÁUDIO. Vai mudando de canal. Pare naqueles em que há uma pessoa falando e que você sinta essa pessoa como cativante, agradável. Daí aumente o volume. Sentiu?

É isso, a gente gosta de quem é “de verdade”.

O seu jeito é o seu, gostem ou não. Se for verdadeiro, algumas pessoas vão gostar e muito.

A melhor máscara para ser aceito é…nenhuma.

…e pra saúde tambem.