Quem não se conhece, sente falta “não sabe do que”.
E quem não tem alguma sensibilidade, nem disso sente.

Estamos todos ficando assim.

Houve um sábio oriental que disse: “Você conhece um povo pela sua música”.

Leitor, me acompanhe nesse pequeno flash back.

No fim do sec 19 Carlos Gomes (compositor brasileiro de música erudita) premiava esta senzala chamada Brasil com a sua música inspirada em Verdi (compositor italiano de música erudita)

Pouco depois, na primeira metade do sec 20, Villa Lobos (compositor brasileiro de música erudita) nos encantava com suas releituras de Procofiev, Stravinsky, Debussy entre outros.

Nessas mesmas épocas Chiquinha Gonzaga surpreendia com a sua brilhante obra original, praticamente definindo o formato da canção popular brasileira.

Ernesto Júlio de Nazareth, 1863 a 1934, derretia corações com suas brilhantes releituras de Chopin (compositor polonês de música erudita)

No meio do sec 20, com a expansão da cultura pop (que nasceu com Johan Strauss, mais específicamente com a valsa de salão em 1860 aproximadamente) a escola de samba no carnaval, os cantores populares, astros como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, e tantos outros, espalhavam poesia e lirismo pelo rádio e faziam multidões de admiradores.

Na década de 60, a Jovem Guarda,o Tropicalismo e os imitadores de astros internacionais trouxeram a consagração da baixa qualidade na produção de conteúdo da cultura pop. Teve uma onda de revoluções politicas patrocinadas nessa época, não só aqui mas em muitos lugares terceiros do mundo.

Era importante que o povo emburrecesse.

Decada de 70 Disco Music, muita pluma, muito paetê e muita qualidade tecnológica na produção ajudavam a esconder a infantilização (melhor seria dizer a debilitação e o retardamento) do pensamento. Houve aí a consagração do brega (que eu entendo como disfunção cultural)

Na decada de 80, Sertanojo, Pagodejo e Lambada prometiam uma década de 90 nivelada por baixo. A Disco Music evolui para a Dance Music. O afeto começava a sair das peças musicais e da cultura pop, as músicas se tornavam cada vez mais jingles publicitários que vendiam o comportamento humano desejado pelo poder.

Na decada de 90 o Tchan foi o carro chefe desse imenso tsunami de detrito cultural. O povo comia dejeto e arrotava esperança no sucesso pessoal imediato.

Em 2000 o Funk carioca (que é uma degeneração musical que vem acontecendo desde a decada de 70, pois Funk mesmo é uma música pop de muita qualidade produzida na decada de 70 pelos negros americanos, tendo em Steve Wonder um de seus ícones)
se tornava o berço de inóquos protestos sociais (Gabriel o Pensador que repetia Chico Buarque, que, por sua vez, calou seus protestos quando viu que o projeto de imbecilização global tinha dado certo já nos anos 80 quando houve a abertura política, o povo não tinha mais capacidade intelectual de ação como tinha na decada de 60).

A música definitivamente virou pinga.

O povo ouve e dança pra descarregar a raiva, esquecer a impotência social e confraternizar numa suruba sexual sem afeto.

Obrigado leitor por me acompanhar nesse trágico e suscinto demais, flash back.
Sei que cometi omissões graves mas a idéia não é fazer um tratado, apenas uma rápida revisão crítica.

Voltando.

Ouso fazer então uma profecia.

Não precisa ser vidente, paranormal e nem ter bola de cristal. É quase óbvio. Se nós não fizermos nada:


Teletubbies é o futuro

Em breve, todas as produções da cultura pop se assemelharão aos episódios de:

Tinky Winky (o teletubbie roxo),
Dipsy (o teletubbie verde),
Laa-Laa (o teletubbie amarelo)
e Po (o telettubie vermelho).

Aos poucos e sob o patrocínio das grandes grifes, nos tornaremos socialmente bem mais passivos, bem mais retardados, bem mais ignorantes, quase nada afetuosos, MAS……………..

……………..grandes consumidores de: McDonald’s, Fords, Shells, Coca-colas, Bradescos, cigarros, Sonys, Motorolas, Microsofts, American Airlines, cocainas, whiskies, Telefônicas, Nikes, Nestlés, etc. etc. e tal.

A cada dia que passa a reverssão desse processo se mostra mais inviável.
O que me consola é que a praga que nós temos sido não destruirá o planeta.
Faremos isso bem antes com nós mesmos…

…se nada for feito por nós em contrário.