No sentido léxico:

afeto1
[Do lat. affectus, us.]
S. m.
1. Afeição por alguém; inclinação, simpatia, amizade, amor:
2. Objeto de afeição: 2
3. Psicol. O elemento básico da afetividade (2).
4. Psiq. Estado emocional ligado à realização de uma pulsão (2) que, reprimida, transforma-se em angústia ou leva a manifestação neurótica.

afeto2
[Do lat. affectu, part. de afficere, ‘afetar’.]
Adj.
1. Afeiçoado, dedicado.
2. Partidário, sectário.

Num sentido mais amplo:

Simpatia, amizade e amor só são possíveis se exercidos com respeito, em relação digna, sincera, verdadeira, clara, baseada no grau de afinidade em cada momento (que é dinâmico), colaboracionista e com generosidade. Quanto maior o grau desses ingredientes, melhor a qualidade do exercíco do afeto e suas maravilhosas consequências, quanto menor for o grau, pior será a qualidade do exercício do afeto e suas terríveis consequências.
É importante estar atento para o “como” se exerce o afeto. Afeto a gente sente, ótimo. Mas o modo de exercitá-lo é DECISIVO para o sucesso ou insucesso das relações.
A começar para consigo próprio. A maneira como alguém se trata determina COMO tratará aos outros, e esta, como os outros a tratarão.
Somos seres essencialmente relacionais e afetuosos. O vetor “vida” depende da maneira construtiva como nos tratamos. Se alguem mata alguem TODOS nós perdemos. A relação perde. Se alguem cura alguém todos nós ganhamos. A relação ganha.
Não fomos feitos para a caça e nem muito menos para a guerra. Essas atividades demonstram o grau de doença em que estamos. Se, numa guerra, matamos vários inimigos, temos prazeres imediatos de descarga de ódio que é pode ser o fruto da vingança realizada ou da raiva. Se fazemos verdadeiramente as pazes com apenas um deles, num abraço reconciliador, temos o contentamento existencial, uma sensação de harmonia indescritível, porque sentimos que estamos exercendo a nossa vocação básica que é a da interatividade construtiva.

O afeto a todos e a tudo é o nosso estado natural.

Violência, ódio, raiva, sarcasmo, arrogância, ironia são sintomas de disturbios relacionais (a começar consigo mesmo)
Para ser digno na relação, o afetuoso não precisa devolver na mesma moeda se for atacado. Basta não seguir com a proximidade pessoal. Do meu livro de frases “Desafinidade não tem cura mas tem remédio, distância”. Nada radical, porque as pessoas podem mudar e, se mudarem para melhor, é sempre bom conferir. Todos nós PRECISAMOS NOS RELACIONAR BEM: ESTA É A NOSSA VOCAÇÃO !!!. Se o distanciamento pessoal não for possível, então resta o distanciamento interno. Trate com dignidade porque VOCÊ é digno. Deixe somente para o outro a desdarmonia. Tarefa difícil essa, dificílima às vezes, quase impossível mas…de alguma forma você atraiu essa situação para você. Talvez para testar as suas convicções. Aproveite para fortalecê-las, aprender a harmonia no meio da desarmonia e, aí sim, você atrairá uma situação mais harmônica.
É bom lembrar sempre que, durante esse convívio desarmônico, você deixou no outro uma preciosa semente de harmonia e, um dia, creia, ela florecerá.

Afeto é o nosso estado natural e é tambem, consequentemente, o nosso principal sentimento “default de fábrica” e tambem é com afeto que nos relacionamos. O resto é doença.

Afeto é saúde.

Todo mundo quer básicamente uma coisa: Ser bem tratado.

Sendo assim, esmeremo-nos em tratar bem e cada vez melhor a nós próprios e aos outros porque, quase sempre, o mundo nos trata da forma como o tratamos.

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